terça-feira, setembro 04, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Início e fim da "década de ouro" do FSC



Com o escrito anterior terminamos aquela que nós classificamos como a “Década de Ouro”, uma vez que foi durante os anos de 1960 que as equipas de seniores do Fayal Sport Club conquistaram o maior número de títulos distritais.
Recordamos que durante essa década, o Fayal Sport Club conquistou 7 campeonatos distritais, 6 participações nos Torneios de Classificação à Taça de Portugal e 3 participações consecutivas nos Campeonatos Regionais, dos quais o anterior escrito se refere ao último campeonato dessa década.
Estas provas eram disputadas entre as três históricas equipas citadinas: o Fayal Sport Club, o Angústias Atléticos Clube e o Sporting Club da Horta.
Desde a fundação da Associação de Futebol da Horta, em Outubro de 1930, esta instituição sempre teve estes três clubes como seus únicos filiados. Depois, julgamos que nos inícios da década de 1980, foi permitida a entrada na Associação de Futebol de equipas que faziam parte da instituição INATEL (ex-FNAT), chegando o seu número a atingir a totalidade de 9 equipas: as 3 da cidade, Flamengos, Feteira, Castelo Branco, Capelo, Cedros e Salão.

Escrevemos na imprensa local da época, dando a nossa opinião e questionando se o futebol faialense queria “quantidade ou qualidade”. Foi-nos respondido na altura “que todos tinham o direito de praticar desporto”.
Decorridos que foram todos estes anos, sobre o que foi publicado e a comprovar o que nós tínhamos escrito, o futebol faialense está pelas “ruas da amargura”.
Miúdos para ingressar nas equipas jovens são muito poucos. Há épocas em que o decano dos clubes açorianos deseja inscrever na Associação de Futebol da Horta escalões de formação e não tem jovens em número suficiente para a sua inscrição.
A agravar estes problemas, está o Campeonato Regional que é, quanto a nós, mais uma desgraça que está a contribuir para o endividamento de todos os clubes açorianos que nele participam.
Ainda há dias, o Presidente de um Clube micaelense veio para a televisão açoriana informar que o seu clube não estava interessado em participar na Taça de Portugal porque a dívida do respectivo clube ascendia a 400 MIL EUROS!
E isto porquê?

Porque o Campeonato Açoriano contribuiu e continua a contribuir para o agravamento das dívidas dos clubes uma vez que nós residimos e vivemos em ilhas, que não “nadam em dinheiro” e como tal os clubes não podem e nem devem participar em grandes aventuras, actuando num campeonato açoriano que só contribui para o desaparecimento das suas actividades desportivas.
Neste Campeonato Açoriano a Ilha da Graciosa participa esta época com 3 equipas! Mas isto é possível numa ilha pequena?
Temos outro exemplo dos tempos modernos: o Santa Clara irá receber do Governo Regional a importância de 1 milhão de euros para participar no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão. É com este subsídio que o Santa Clara vai pagar o que deve ou isto irá contribuir para que a sua dívida aumente?
Julgamos que estes comentários têm razão de ser e a realidade diz-nos que estas palavras foram, continuam e continuarão a ser actuais através dos anos.
Hoje, o mal está feito e devido a aventuras de diversa ordem, os clubes históricos da nossa ilha tendem a desaparecer. E isso é muito grave para uma terra que possui um dos clubes mais antigos de Portugal.
Mas o presente está entregue à geração actual.

As gerações antigas muito trabalharam. Moveram e removeram enormes obstáculos para que o clube do seu coração tivesse um futuro melhor. Se eles hoje fossem vivos, muito tristes ficariam em ver o seu esforço e o seu trabalho muito mal tratados, porque foram eles que se dedicaram durante muitos anos para que a construção das infraestruturas desportivas do FSC fossem uma realidade.
É triste, mesmo muito triste, ver as actuais infraestruturas da Alagoa num estado bastante degradante.
O piso e o tecto do ginásio estão numa situação extremamente deteriorada e por isso nada é realizado no seu interior. Todo esse espaço é bastante caótico e por essa razão os aniversários deste “Grande Clube” já não são assinalados condignamente. No dia 2 de Fevereiro é realizado um “almoço de amigos”. Muitos dos históricos sócios e ex-jogadores, são pura e simplesmente ignorados. Tudo isso contribui para que essas pessoas se vão afastando. No seu tempo, elas trabalhavam para o FSC. Hoje, qualquer dirigente trabalha não para o clube mas sim para pagar a jogadores e treinadores. Numa terra pequena como a nossa, onde os campos estão vazios de espectadores, como é que isso é possível?

O relvado sintético do estádio, neste quente Verão, não foi devidamente protegido com água. As mangueiras subterrâneas secaram ou não existem. A “relva” tem uma suave cor amarela, sinal de que não é devidamente aguada.
Com estas atitudes, a “Década de Ouro” do Fayal Sport Club, jamais será repetida e para a posteridade, prometemos que nas colunas deste jornal, ficarão registados esses e outros episódios desportivos.


J. Luís

Publicado no Incentivo a 03 de Setembro 2018

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