terça-feira, agosto 07, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Fayal e Lusitânia na disputa da Taça "Gaspar Neves"


Em 1.º plano, da esquerda para a direita: Armando Sousa, Abílio Baptista, João Ângelo, Carlos Machado, Manuel Maria e Necas Madruga.
De pé, pela mesma ordem: Costa Pereira, Manuel Cristo, Alfredo Simão,
João Ribeiro, Manuel Raposo, Gaspar Neves, João Luís e Durval Melo.


Na primeira edição do Jornal do Fayal Sport Club, de 2 de Julho de 1966, era feita a reportagem do jogo realizado entre o clube da Alagoa e o Sport Clube Lusitânia, homenageando desta forma o seu jogador e treinador Gaspar Adelino Torres Castro Neves.
Essa homenagem que teve como disputa a taça com o seu nome, foi realizada no Estádio da Alagoa cujo resultado, no primeiro encontro, foi favorável aos “Verdes da Alagoa” por 1-0. A jogada do golo, é-nos descrito desta forma:
“Gaspar Neves libertou-se dum adversário e lançou Madruga pelo flanco esquerdo. Este, mais rápido que Dionísio conseguiu isolar-se. Georgino saiu ao seu encontro, mas MADRUGA rematou pelo lado esquerdo, fora do alcance do guarda-redes lusitanista”.
Para recordar esse jogo, a seguir se transcreve, com a devida vénia, a descrição da actuação dos jogadores do Fayal Sport descrita por José Pacheco de Almeida:

“DURVAL MELO – Corajoso. Seguro, apesar da sua pequena estatura cumpriu muito bem.
JOÃO RIBEIRO - Defrontando um adversário de grande técnica teve imensas dificuldades, sendo batido em muitos lances. Bateu-se com energia, e a sua actuação melhorou com o decorrer do tempo.
MANUEL CRISTO – Grande actuação. Excelente no jogo de cabeça, no qual é imbatível, seguro nos cortes, calmo nas entregas. De reprovar uma atitude para com o Airosa, já que fica a ensombrar o seu magnífico trabalho.
JOÃO LUÍS – Magnifico a defender. Tem como que um sexto sentido que lhe indica o momento exacto do corte. Pouco preciso nas entregas, único pormenor menos bom do seu trabalho.
ALFREDO SIMÃO – Bom trabalho. Valente, lutou sempre, tendo tido iniciativas agradáveis de ataque.
MANUEL RAPOSO – Extraordinário o seu espírito de luta. É um jogador que dá todo o seu esforço à equipa. Tentou com êxito alguns lançamentos compridos para os extremos.
MANUEL MARIA – Excelente actuação. Incansável, corre o campo todo, desbaratando energias, pois não se poupa a esforços. Pedra influente no meio campo. Quebrou perto do fim quando a equipa toda se ressentiu dos esforços feitos nos diversos jogos da semana.
ARMANDO SOUSA – Boa actuação. Aliou à sua extraordinária corrida um espírito de luta que não lhe é habitual. Teve algumas corridas impressionantes pelo seu sector.
GASPAR NEVES – Jogando lesionado, esforçou-se até ao esgotamento. Teve jogadas que só a sua técnica permitiu executar. Bons lançamentos aos extremos.
JOÃO ÂNGELO – No pouco tempo que esteve em campo, foi infeliz nos passes. Jogador calmo e de boa técnica, tentou orientar a sua equipa, mas não o conseguiu.
CARLOS MACHADO – Entrando a substituir João Ângelo, revelou-se batalhador incansável. Ajudou os homens do meio campo. Apareceu pouco na área da verdade.
NECAS MADRUGA – Muito rápido e corajoso, marcou um golo magnífico e teve algumas fugas espectaculares. Jogando ainda mal refeito duma lesão, lutou sempre com energia. Boa actuação.
ABÍLIO BAPTISTA – Jogou alguns minutos no lugar de Armando Sousa que se lesionou. Habilidoso, falta-lhe força para entrar na área”.

Numa notícia aparte, o mesmo boletim escrevia o seguinte:
“Do bom entendimento havido entre o Lusitânia, Campeão Açoriano e o Fayal, Campeão Distrital, nasceu a ideia duma homenagem, aliás justa, ao futebolista Gaspar Neves. Agora munido do diploma de Curso de Treinadores, tirado no ano de 1964.
Gaspar Neves já prestou valiosa contribuição a estes dois conjuntos açorianos, onde a sua classe ficou bem vincada.
Agora ligado ao Fayal Sport Club, Gaspar Neves tem contribuído com entusiasmo, dignidade profissional e classe para conduzir a sua equipa às mais saborosas vitórias.
Esta homenagem e a Taça que tem o seu nome ficam a perpetuar o nome de um Atleta dos mais completos que têm pisado campos açorianos”.
Na segunda mão realizada em Angra do Heroísmo, o Lusitânia venceu o Fayal Sport Club por 3-1.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 06 de Agosto 2018

terça-feira, julho 31, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - O Jornal do Fayal Sport: O princípio e o fim


De pé, da esquerda para a direita: Costa Pereira, Leonel, João Luís, João Ribeiro,
Manuel Raposo, Jorge Barbosa, João Quadros, Manuel Cristo e Antero Gonçalves (Treinador).
Em 1.º plano: Mário “Vidinha”, João Ângelo. Fernando Faria, Mário Barbosa. José Macedo,
Manuel Lino (Administrador do Jornal FSC), e Manuel Bulcão.

Com a devida vénia e muita admiração, vamos transcrever o que o seu Director, Prof. Jaime Baptista Peixoto, melhor do que nós pudéssemos rabiscar sobre a sua fundação, escreveu para o livro “Os Verdes da Alagoa”:

Sim, é verdade. O Fayal Sport Club também teve o seu jornal periódico! Foi um mensário, que geralmente saía aos fins de cada mês.
Eu fui o Director desse jornal, que durou cerca de 10 anos consecutivos. O primeiro número saiu a 2 de Julho de 1966 e o último a 2 de Fevereiro de 1975, e que foi a edição comemorativa do 66.º aniversário do Clube.

Foi um percurso longo, com altos e baixos, como são todas as coisas mundanas e falíveis, numa cidade pequena e de fracos recursos. Mas fez-se o jornal. Que foi durante cerca de uma década, a voz do Clube e o narrador de histórias.
Ninguém me vem ensinar o que é um jornal, grande ou pequeno, que tem sempre uma dimensão temporal e descritiva, pois a minha vida jornalística ultrapassou já meio século de actividade no “Telégrafo”, no “Correio da Horta” – principalmente no “Correio da Horta” – e também em vários outros jornais da língua portuguesa, no nosso País, e nos Estados Unidos da América, na Nova Inglaterra e Califórnia.
Não é fácil fazer um jornal, qualquer que seja a sua orientação, onde trabalham várias pessoas e tem diversas características.

Para que o Fayal Sport Club tivesse um jornal foram precisas muitas boas vontades. A maior de todas, a do Sr. José Bettencourt Brum, figura marcante do “Clube Verde”, e ele próprio jornalista local, com colaboração nos órgãos da imprensa faialense e com vários livros publicados. Foi ele que me convidou para ser director de um jornal, me incentivou e, por vezes, me invectivou quando eu lhe respondia sempre não, porque tinha muito que fazer, e ser professor gastava muito tempo, o curso era o mais fácil de fazer, sendo o resto muito mais custoso e desgastante. Um dia, aborrecido comigo, um aborrecimento cartesiano, pois não era pessoa para além disso, disse-me: “pois fica sabendo que se o Fayal Sport não tem um jornal é por tua causa”. Fiquei com aquilo cá dentro, e no outro dia fui ter com ele e afirmei-lhe: ”se quer um director para o jornal, aqui está um”. Ficou muito contente. E foi assim que nasceu o jornal do Fayal Sport Club.

Fez-se uma reunião na sede do Clube para se tratar disto. Apareceu muita gente. E todos juraram que iriam escrever muito, que iriam participar, e muitas coisas mais. Mas a mim já me tinham caído as peles dos olhos e sabia muito bem para onde ia. Ao fim de uns meses já não havia colaboradores. O jornal estava definido. Eu era o Director, o José Pacheco de Almeida o Redactor Principal, mas quem ficou, incondicionalmente, comigo, foi o meu amigo Ednard Ogima, pseudónimo de Manuel Lino. E ficou até ao fim.

É que um dia, a Empresa que imprimia o jornal, actualizou o preço da tiragem. E foi um preço incomportável para o Clube. E o remédio foi acabar com o jornal. E eu fiquei livre desse compromisso. E entretanto fui convidado pelo Dr. Fernando Faria Ribeiro, para assumir uma nova tarefa no jornal diário “Correio da Horta”. E aceitei. Seria para mim, como comprovei, uma experiência diferente. Como, de facto, o foi. Porque fazer um jornal diário já era uma tarefa mais complicada. E que não me deixava mais tempo. Mas, entretanto, a empresa reconsiderou mais tarde, e resolveu dar uma nova oportunidade ao Fayal Sport Club. Mas foi tarde de mais. Não pude voltar. E foi dada uma oportunidade a um moço mais novo, que não estava preparado para isso. E o jornal foi definhando até que, por falta de qualidade, foi encerrado.
Esta é a história do jornal do Fayal Sport Club, que mesmo assim, ainda durou cerca de 10 anos”.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 30 de Julho 2018

quinta-feira, julho 26, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Boletim do Fayal Sport Club



Nesta série de artigos não podíamos deixar de escrever algumas palavras sobre a existência do órgão informativo do Fayal Sport Club que foi fundado por dois grandes sócios e adeptos do decano dos clubes açorianos: os Srs. Prof. Jaime Baptista Peixoto e José Pacheco de Almeida, juntando-se mais tarde Manuel Tibério Goulart Lino, como Administrador.
Este boletim nasceu no dia 2 de Julho de 1966, vindo a suspender a sua publicação na edição N.º 94, em 4 de Maio de 1974, por impossibilidade de impressão por parte da Empresa “Correio da Horta”, recomeçando em 1 de Fevereiro de 1975 e a sua última publicação, N.º 103, foi realizada no dia 4 de Outubro de 1975 e tinha como Director e Editor o Prof. Jaime Baptista Peixoto, como Redactor Principal José Manuel S. Macedo e como Administrador João Goulart.
Foi um boletim que era publicado todos os meses e continha, por vezes 6 ou 8 páginas. Nelas, era comentado o que se relacionava não só com o futebol em todas as suas categorias, como também com o basquetebol feminino, com o ciclismo e outras actividades desportivas, culturais e sociais.
Nos comentários efectuados a todos os jogos de futebol da primeira categoria, este boletim contava também com uma série de colaboradores – sócios e adeptos – que periodicamente iam escrevendo sobre os mais variados temas relacionados com o futebol e não só.
Nas suas colunas, para além dos artigos de opinião e comentários sobre o desempenho das equipas, era dada uma pontuação a cada jogador da categoria sénior, a cujo vencedor, no final da época era-lhe atribuído um troféu que tinha gravado o nome de um antigo e histórico jogador.
No início do ano de 1970, nas mesmas colunas foi criada a secção “Os Nossos Atletas” onde foi descrita a biografia de alguns jogadores de futebol que envergaram a camisola do Clube da Alagoa. É muito provável que eles venham a ser recordados nas colunas deste jornal.
A título de curiosidade, divulgamos o preço da assinatura deste boletim: Continente e Ilhas adjacentes, por mês custava 2$00 e por ano 24$00. No estrangeiro, por mês a quota custava 5$00 e por ano 60$00.
A feitura deste boletim era executada nas oficinas gráficas do vespertino “Correio da Horta”, no tempo em que os jornais eram feitos com caracteres de chumbo e letra a letra. O trabalho era imenso, não só para quem o escrevia mas também para quem trabalhava na sua composição, paginação e impressão.
Logo de início foi apresentada uma proposta ao “Telégrafo” que respondeu da impossibilidade da sua feitura e as poucas esperanças dadas pelo “Correio da Horta”, obrigou a que os seus responsáveis se virassem para Angra do Heroísmo. Após conversações realizadas verificaram que o atraso que originaria e o aumento das despesas tornava-se incompatível com as suas possibilidades.
Foi então que a Direcção do Fayal Sport insistiu junto da Direcção do “Correio da Horta” que, animada da melhor vontade, removeu todas as dificuldades e garantiu a tão desejada impressão.
Mas para que se transmita para a presente geração o desejo de criar um órgão que registasse todos os momentos da vida do decano dos clubes açorianos, nada melhor do que se transcrever o “artigo de fundo” publicado na primeira edição de 1966, com o título “O NOSSO JORNAL”:
“A criação dum jornal do Clube é sonho desde há muito acalentado. A germinação da ideia floriu e ei-lo aqui!
Esse velho sonho nasceu por volta de 1947. Podemos mesmo assinalar essa data como o marco inicial da sua história. Foi o ano em que se publicou o primeiro Boletim do Fayal Sport Club. Tinha-se então em mente a publicação anual de Boletins periódicos. Tal resolução, por diversas razões, não pôde vingar. E assim só foi possível imprimir mais três Boletins nos anos de 1955, 1958 e 1959, este último assinalando magnificamente as Bodas de Ouro.
A ideia embora latente, não estava esquecida. E a prova aqui está bem visível. Temos o Nosso Jornal.
Assim passarão a ser regularmente conhecidos por todos os sócios e simpatizantes os esforços desenvolvidos no seio do Clube para o engrandecer cada vez mais. O jornal será como que um porta-voz, um arauto que levará a todas as partes, de longe e de perto, o abraço amigo e fraterno dos que pugnam pela unidade, harmonia e grandeza desta excepcional Família Verde.
Os que aqui trabalham (e são, felizmente, bastantes); os que lutam não olhando a sacrifícios; os que sentem a chama clubista; os que vibram com os êxitos e carregam corajosamente com os desaires; os que de qualquer modo, com pouco ou com muito, contribuem para a valorização do Jornal esperam manter o rumo traçado e com mais ou menos sorte levar sempre o barco ao porto.
O que se pede? Também bastante! Pede-se colaboração, carinho. Divulgação do jornal. Assinaturas e pede-se principalmente compreensão. O Jornal é de todos nós. Há esta massa anónima que trabalha nos bastidores e que só tem um desejo: ser útil.
Oxalá que todos possamos, os que meteram mãos à obra e os que a incentivaram e acarinharam, cumprir sempre com determinação as directrizes traçadas e contribuir, dentro do humanamente possível, para a valorização do que é agora o NOSSO JORNAL”.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 23 de Julho 2018

segunda-feira, julho 23, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Disputa do Torneio de Classificação à Taça de Portugal na Horta (1967)


De pé, da esquerda para a direita: Durval Melo, António Marques,
João Ribeiro, Manuel Cristo, João Ângelo, Emanuel Rodrigues,
Manuel Raposo, João Luís e Costa Pereira.
Em primeiro plano, pela mesma ordem: Thiers Lemos (Director),
Armando Sousa, Mário Barbosa, Carlos Machado,
Abílio Baptista, Necas Madruga, José Macedo e Mário Cunha (treinador).

Embora nesta década o Fayal Sport Club tenha vencido, como clube inscrito na Associação de Futebol da Horta, 7 torneios de Classificação, só iremos fazer referência a mais este, completando assim, as três disputas realizadas pelas três capitais açorianas.
Neste torneio, realizado no Estádio da Alagoa, participou o Santa Clara que, no primeiro jogo perde com os “Verdes da Alagoa” por 1-0.
No segundo encontro, o Santa Clara vence o Angrense por 2-1 e no terceiro jogo o Angrense vence o Fayal Sport por 3-1.

O Fayal Sport alinhou com a maioria dos jogadores que se encontram na foto, tendo como base os seguintes jogadores: Costa Pereira, João Ribeiro, Manuel Cristo, João Luís, Emanuel Rodrigues, Manuel Raposo, Abílio Baptista, Armando Sousa, Carlos Machado, Mário Barbosa e Necas Madruga.
No segundo jogo entrou Manuel Maria (que não está na foto) para o lugar de Manuel Raposo.
Nos comentários efectuados no boletim N.º 11 de 6 de Maio de 1967 do Fayal Sport Club, destacamos o comentário feito por Jaime Baptista Peixoto referente ao comportamento dos seus jogadores. Assim:
“…O Fayal Sport teve em Costa Pereira um guardião seguro e decidido. A sua defesa portou-se magnificamente, com relevo para o capitão Cristo. A linha média cumpriu muito bem. No ataque houve, talvez, um pouco de sofreguidão na conclusão das jogadas, o que explica a marcação de um só golo.
O golo foi marcado por Manuel Raposo, na primeira parte, que aproveitou um ressalto da defesa contrária, para atirar forte e por alto, batendo, sem apelação, o guarda-redes micaelense”.

No comentário efectuado sobre o jogo em que o Angrense vence o Fayal Sport por 3-1, extraímos o seguinte comentário da autoria de José Pacheco de Almeida e publicado no mesmo exemplar:
“Os primeiros 15 minutos foram do domínio dos forasteiros que no entanto não conseguiram fazer nenhum golo. Por volta dos 15 minutos o Fayal começou a criar perigo na área do Angrense e aos 19 minutos Necas Madruga, na transformação dum canto, introduziu a bola directamente nas redes confiadas à guarda de Ernesto.
A ganhar por 1-0 a equipa verde cresceu, instalou-se no meio campo adversário e poucos minutos volvidos, um cruzamento feito por alto para a área do Angrense é cortado por Edmundo com a mão já dentro da área: a bola seguiu, no entanto, até Abílio Baptista, que sem demora a atirou para a baliza batendo pela segunda vez Ernesto.
Estava escrito, porém, que não sendo golo, pois o árbitro, beneficiando o infractor, anulou-o para assinalar falta contra a equipa visitante, fora da área. Este erro do árbitro, tirando à nossa equipa um golo que seria decisivo, veio a ter influência no resultado final...”.

“…Entregando o domínio do meio campo ao adversário, o Fayal Sport foi submetido a ataques constantes e aos 8 minutos, um falhanço de Emanuel Rodrigues, colocou a bola ao alcance de Cardona que não perdoou. Cerca dos vinte minutos e na consequência dum livre, assinalado ao contrário, contra a nossa equipa, Cardona aproveitou um ressalto da defensiva verde para fuzilar Costa Pereira. Sobre a hora para terminar o desafio, Laureano, segundo nos pareceu fora de jogo, recebeu um passe de Aníbal, e atirou sesgado ao lado esquerdo de Costa Pereira, que nada pôde fazer para impedir o golo. Estava feito o resultado de 3-1 favorável ao Angrense, de facto a equipa mais arrumada, mais esclarecida, que actuou com uma determinação notável…”.

Este foi mais um torneio em que se pode afirmar que o factor sorte também não fez parte do jogo e, assim, o Fayal Sport viu fugir “entre os dedos dos pés” mais um título açoriano.
Embora tudo o que se escreva ou diga sobre o desenrolar de qualquer jogo de futebol o certo é que a sorte também faz parte desta modalidade e os defensores da camisola verde, muito sofreram com o desfecho dos resultados obtidos contra as equipas adversárias.
Na época de 1967/68, novamente o FSC representa a Associação de Futebol da Horta, deslocando-se a Ponta Delgada, obtendo os seguintes resultados:

FSC, 0 – Micaelense F. Clube, 2; FSC, 0 – Sport C. Lusitânia, 3; Sport C. Lusitânia, 6 – Micaelense F. Clube, 0. Vencedor – Sport C. Lusitânia.
Na época de 1968/69, em Angra do Heroísmo, o FSC, obteve os seguintes resultados: FSC, 1 – Sport C. Lusitânia, 3; FSC, 0 – Operário da Alagoa, 4; Lusitânia, 6 – Operário da Alagoa, 0. Vencedor – Lusitânia.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 16 de Julho 2018

domingo, julho 15, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - A selecção faialense em New Bedford (1965)



Em pé da esquerda para a direita: Jaime Serpa (Director da AFH), Mário Garcia (SCH),
Gaspar Neves, (FSC), Manuel Raposo (FSC), Hildeberto Serpa (AAC), João Luís (FSC),
Rui Goulart (AAC), Mário Serpa (AAC), Manuel Cristo (FSC), Carlos “Cantoa” (SCH) e o massagista do FSC, Sr. José Dutra.
Em 1.º plano, pela mesma forma: Fernando Faria (FSC), Necas Madruga (FSC), Abel Lima (SCH), Armando Sousa (FSC), Helder “Cachopo” (AAC), João Ângelo (FSC)
 Mário Macedo (FSC) e João Castro (SCH).
Ausente da foto o Sr. Renato Azevedo (Director da AFH)

Em 1957 a ilha do Faial era atingida por um espectacular fenómeno da natureza: na zona dos Capelinhos as primeiras fumarolas de um vulcão davam mostras de que algo iria acontecer. E assim foi. Com os passar dos meses esse fenómeno da natureza tomou enormes proporções, obrigando a que muitas famílias faialenses – através de acordos luso-americanos – emigrassem nos anos seguintes para terras do Tio Sam, principalmente para a cidade de New Bedford, Estado de Massachussets.
Afastados da sua ilha natal, muitos faialenses para possuírem um meio que os fizesse recordar que estavam na sua ilha fundaram o “Clube União Faialense” cujos principais membros directivos eram naturais desta ilha.
Para além de outras actividades recreativas, esses faialenses, como não podia deixar de ser, constituíram anos mais tarde, uma equipa de futebol, na qual se encontravam integrados jogadores das três equipas faialenses: FSC, AAC e SCH.

Saindo da Horta no dia 21 de Julho de 1965, mas a convite do Portuguese Sport Club, com sede em New Bedford, a selecção faialense deslocou-se ao Estado de Massachussets para realizar alguns jogos que envolviam vários clubes, com sedes em várias cidades e que possuíam nas suas fileiras jogadores das três colectividades desportivas faialenses. Integrado numa equipa composta por dezassete jogadores, dois dirigentes e um massagista, a selecção faialense partiu do porto da Horta embarcando no “Terra Alta” desembarcando em Angra do Heroísmo.
No Aeroporto das Lajes entraram num avião cuja lotação de passageiros era muito limitada e cujo destino foi o designado “Aeroporto aero-vacas” de piso térreo, situado nas imediações da Ribeira Grande, em S. Miguel.
Nesta ilha, embarcaram novamente numa aeronave da SATA, também de pequenas dimensões, as quais somente tinha espaço para transportar a caravana faialense. Em Santa Maria toda a equipa e restantes passageiros entraram num avião da TWA, com destino à América.

No Aeroporto de Boston, encontrava-se uma enorme multidão e à chegada a New Bedford, esse número excedeu todas as expectativas. Para qualquer lado que se virasse a cabeça, deparava-se logo com um faialense radicado naquela e noutras cidades.
Não há palavras que possam registar na realidade, a alegria, a saudade e o carinho prestado a toda a caravana faialense por parte dos emigrantes que na América procuraram uma vida melhor, após a erupção do Vulcão dos Capelinhos. Foram manifestações de muito afecto, aquelas que foram prestadas pelos emigrantes radicados nas várias cidades daquele Estado destacando-se, em cada abraço, a saudade que sentiam por todas as recordações que a selecção representava.
Todos os elementos da caravana faialense ficaram alojados em casas de família ou de pessoas amigas. Foi nestas residências que os jogadores da selecção tomaram conhecimento, pela primeira vez, da existência da “caixa” que revolucionou o mundo: a TV, não a cores, mas a preto e branco.
É de recordar também a longa deslocação de autocarro que foi oferecido à selecção com destino à cidade de Nova York onde foi visitada a Feira Mundial

Em New Bedford a “Festa dos Madeirenses”, foi outro evento que não podia deixar de ser visto. As “espetadas” eram o “prato forte” da ementa.
Nessa festa passou-se um caso curioso com o Necas Madruga quando foi-lhe negada, numa “barraquinha” uma cerveja porque a sua estatura física sugeria não possuir mais de dezoito anos de idade.
No dia 25 de Julho de 1965, domingo, a selecção faialense inicia o périplo por terras da América. Para além do Portuguese Sport Club, com quem a selecção faialense defrontou por duas vezes, teve ainda como adversárias as selecções de New Bedford, da Nova Inglaterra, a Selecção Faialense dos USA, de Rhod Island e ainda equipas de Fall River, East Providence, o Casa Pia, perante o qual a selecção perdeu por 1-0, o Tauton Sports, o Lowel Sports, e por último o “Espanhol”, equipa profissional, conhecida entre a comunidade faialense pelos famosos “Pretos de Nova Iorque”, perante os quais saíram vencedores por 3-1. Já lá vão 53 anos!

 De 25 de Julho até 22 de Agosto a selecção faialense nos 10 jogos realizados, obteve 7 vitórias, 2 empates e uma derrota. Foram marcados 37 golos e foram só consentidos apenas 9.
Esta selecção faialense, que em “Terras do Tio Sam” deixou uma imagem inesquecível de simpatia e amizade junto daqueles que por necessidade ou por opção, decidiram procurar nas terras norte-americanas uma vida melhor, foi treinada pelo Prof. Gaspar Neves.
No regresso da América, toda a caravana foi recebida, na Cais de Santa Cruz, por várias centenas de faialenses, seguindo-se um cortejo até ao edifício do Governo Civil, onde a selecção foi recebida pelo Governador do Distrito Autónomo da Horta, Dr. António de Freitas Pimentel.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 09 de Julho 2018

sábado, julho 14, 2018

Luís Carlos Rosa renova pelo Fayal Sport


O Fayal Sport está a preparar a próxima época, tendo em vista a mais uma participação nas provas da AF Horta.
No comando técnico continuará Luís Carlos Rosa, que assim vai para a sua segunda temporada consecutiva como treinador do Fayal Sport.

Quanto a entradas e saídas de jogadores, de momento não são conhecidas novidades.

sexta-feira, julho 13, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Disputa do Torneio Açoriano à Taça de Portugal em Ponta Delgada (1965)


De pé, da esquerda para a direita: José Almeida, Helder Quaresma, Alfredo Simão, Manuel Raposo, Manuel Cristo, João Ângelo e João Luís.
Em 1.º plano e pela mesma ordem: Armando Sousa, Gaspar Neves, Mário Macedo, Fernando Faria e Necas Madruga.

Para a participação nos Torneios Açorianos, com a presença dos Clubes vencedores e que representavam as três Associações Açorianas, as equipas deslocavam-se a bordo de navios e a ausência da ilha era de mais ou menos de 15 dias.
Saía-se da Horta, numa quinta-feira – se não estamos em erro - com destino a Ponta Delgada. No domingo seguinte, realizava-se o primeiro jogo. Na quarta-feira, o segundo encontro e no segundo domingo a terceira e última partida. O regresso de S. Miguel era efectuado na segunda-feira à noite e o da Terceira na terça-feira antes do meio-dia. À Horta, chegava-se na quarta à tarde ou durante a noite.
Nesse período de tempo, quer na Terceira quer em S. Miguel, eram oferecidos alguns passeios à caravana verde. Era nessas deslocações que os jogadores iam tomando conhecimento das paisagens dessas ilhas e a longa costa sul de S. Jorge.

Nas participações do FSC nos Torneios Açorianos à Taça de Portugal, contra equipas bem estruturadas e organizadas (e foram várias nessa década de 60) os “Verdes da Alagoa” obtiveram sempre resultados bastante satisfatórios, com jogadores que “gastavam até aos joelhos”.
 Era com base neste lema e na total entrega dos seus futebolistas, que as exibições dos mesmos deixavam os adeptos das equipas adversárias admirados pela maneira como os amadores do FSC enfrentavam, com garra e determinação, equipas consideradas de outro gabarito e algumas delas, davam aos seus jogadores como incentivo, prémios monetários referentes a treinos e a jogos.
O percurso entre o alojamento e o campo de jogo era feito sempre a pé: na Terceira, a equipa dos verdes ficava alojada na pensão “Beira-Mar”, que tinha o seu edifício a poucos quilómetros do campo municipal de Angra do Heroísmo e em S. Miguel, na “Pensão Central, que ficava afastado a pouco mais de dois quilómetros do campo Jácome Correia.

Cada jogador transportava o seu equipamento em sacos de mão. Os jogadores do FSC deslocavam-se em grupo e eram facilmente identificados, porque iam equipados com um fato de treino verde – este durou vários anos porque era somente usado nas deslocações para fora da ilha – pelo que era muito vulgar as pessoas fazerem observações mais ou menos jocosas:
- “Esses são os jogadores que vão defrontar a nossa equipa? Pois vão levar muitos!”.
Os fatos de treino (de cor verde claro) foram executados, nos inícios da década de 1960, pela esposa do ex-guarda-redes e treinador Sr. António Torres Castro Neves, sendo, provavelmente, os primeiros fatos de treino a serem usados pela equipa de seniores dos “Verdes da Alagoa.
Nesse torneio, realizado no pelado campo Jácome Correia, em Ponta Delgada, para além do FSC, participaram também o Sport Clube Lusitânia e o Micaelense Futebol Clube.
Neste jogo há uma pequena história que deve ser aqui também recordada.

No jogo contra o Lusitânia, o seu habilidoso avançado-centro, conhecido por “Airosa”, tinha por hábito provocar o defesa central do FSC, Manuel Cristo, sempre com a intenção de que este, devido à sua maneira de jogar, fizesse uma entrada mais faltosa que desse origem à sua expulsão. Essa situação nunca sucedeu. O que o “Airosa” não estava à espera é que numa disputa de bola entre os dois e sobre uma das laterais do campo de jogo, existiu um pequeno encosto e o “Airosa” faz-se à falta e cai no chão. Nesta situação o Manuel Cristo, com um “gesto de amizade” pegou no “Airosa” e colocou-o fora das quatro linhas. Sobre esta atitude o árbitro do encontro nada fez. Marcou a falta, deu autorização para que o “Airosa” entrasse no campo e o jogo assim prosseguiu.

Os resultados foram os seguintes:
Micaelense, 2 – Lusitânia, 2
Fayal Sport, 1 – Lusitânia, 1
Fayal Sport Club, 1 – Micaelense, 4
Vencedor Clube União Micaelense.

Novamente, depois de mais de 10 dias em terras micaelenses e sempre alojados na “Pensão Central”, lá se regressava ao Faial onde todos se iriam preparar para o início de uma nova época e regressarem às suas residências e aos seus locais de trabalho de onde estiveram ausentes cerca de 15 dias.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 02 de Julho 2018

quinta-feira, julho 12, 2018

AF Horta


Datas previstas para o início das provas associativas:

Seniores - 16 de Setembro
Juniores - 15 de Setembro
Juvenis - 16 de Setembro
Iniciados - 15 de Setembro
Infantis - 22 de Setembro
Benjamins - 29 de Setembro
Traquinas - 29 de Setembro
Petizes - 29 de Setembro

quarta-feira, julho 11, 2018

terça-feira, julho 10, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - O início da "Década de Ouro": Disputa do Torneio Açoriano em Angra do Heroísmo (1963)


Em 1.º plano, da esquerda para a direita: Armando Sousa, Fernando Faria,
João Ângelo, Gaspar Neves (treinador/jogador) e José Silveira.
De pé, pela mesma ordem: José Almeida, Mário Barbosa,
Manuel Cristo, Emanuel Rodrigues,
 Manuel Raposo, João Luís e Mário Carmo.

Nos tempos em que só existiam três equipas de futebol, as provas a realizar e promovidas pela Associação de Futebol da Horta, resumiam-se a três torneios realizados em duas voltas: Torneio de Preparação, Campeonato Distrital e Torneio de Classificação à Taça de Portugal, sendo o vencedor deste último aquele que dava acesso ao Torneio Açoriano.
Na época de 1962/63 são incluídos novos jogadores representantes da geração que iria dar, na década de 1960 do século passado, ao Fayal Sport Club, a conquista de 7 campeonatos distritais, 6 participações no Torneio de Classificação à Taça de Portugal e 3 consecutivas participações nos Campeonatos Regionais (1968, 1969 e 1970).
Esse torneio realizado em Angra do Heroísmo foi, para alguns dos jogadores do FSC, o seu “baptismo de fogo” em provas oficiais açorianas.

Os resultados efectuados por esta jovem equipa foram muito satisfatórios, uma vez que no primeiro jogo realizado, o Lusitânia vence o União Micaelense por 4-2. No segundo jogo e dadas as expectativas para o embate contra o campeão terceirense, saíram da Horta, muitos sócios e adeptos do clube “verde” que se deslocaram na lancha “Espalamaca” à Terceira para apoiarem a sua e nossa equipa.
O resultado final foi favorável ao Lusitânia por 2-1 e no último jogo contra o União Micaelense o FSC saiu vencedor por 2-0.
No final do Torneio, divulgado por um órgão terceirense, Gaspar Neves, Manuel Cristo, Fernando Faria, João Luís e Emanuel Rodrigues, são mencionados a fazerem parte duma hipotética selecção açoriana.

Na nossa ilha, o jornal “Correio da Horta” publicava a sua selecção, da autoria do Sr. Artur Ramos, sendo estes os jogadores do FSC escolhidos:
“Guarda-redes: Neste posto, José Almeida, por ter sido o mais regular e seguro dos guardiões, torna-se indiscutível, aliando ainda o facto de ter sido o menos batido.
Defesa direito: Torna-se difícil a escolha de um elemento para este lugar. Mário Barbosa, no entanto, mais habilidoso, de melhor técnica e calmo, é o preferido.
Defesa esquerdo: Baganha… Emanuel Rodrigues, “Barrinhas”, com dois bons jogos, leva pequena vantagem a Capaz, um defesa rijo e leal.
Defesa central: Nesta posição João Carlos e Teixeira… Cristo foi um defesa rijo e batalhador. Que aliou um espírito de sacrifício justo de salientar. Mas, que, apesar de não ter jogado mal, ficou aquém dos seus companheiros do mesmo posto.
Médio esquerdo: A médio esquerdo, a nossa preferência vai para o jovem jogador do Fayal Sport, João Luís que, pela sua movimentação, bom sentido de entrega e colocação no terreno, é o elemento número um neste posto.
Interior direito: Neste lugar, Gaspar Neves não tem rival. A sua técnica apurada, a intuição dos seus passes e as suas fintas desconcertantes quer de costas quer de frente para os adversários, são de um jogador evoluído que já se encaminha para a maturidade…
Interior esquerdo: Fernando Faria e Airosa são candidatos sérios pelo equilíbrio de forças que se notam.
E como extremo esquerdo, José Silveira ocupava o segundo lugar”.
Neste torneio há um episódio passado com o guarda-redes José Almeida.

Sabia-se que o José Almeida tinha alguns amigos em Angra do Heroísmo, uma vez que já tinha envergado a camisola de uma equipa terceirense e possuía na Terceira algumas relações de amizade com alguns clubes dessa ilha. Os jogadores do FSC (à laia de brincadeira) mostraram receio de que ele fizesse um “frete” a favor do “Lusitânia” e vai daí, para ele não sair da “Pensão Lisboa”, amarraram-no à sua cama. O certo é que o José Almeida, só foi “libertado” pouco antes do jogo.
A este propósito e do que se conhece relacionado com a família Almeida, (mais conhecida pela alcunha “Batata”) nas décadas de 1950/1960/1970, foi aquela que mais jogadores deu ao clube da Alagoa. Nele, alinharam três guarda-redes: António Pacheco de Almeida, José Adelino Pacheco Almeida e Manuel de Lima Pacheco de Almeida. Jogadores: José Pacheco de Almeida (co-fundador em 1966 do jornal FSC, sendo seu Redactor Principal), Luís Pacheco de Almeida (vencedor do Torneio de Classificação à Taça de Portugal, realizado em Ponta Delgada em 1959), e João de Lima Pacheco de Almeida.

Nesta deslocação à Terceira, por elementos directivos do Lusitânia que trabalhavam na Base da Lajes, alguns dos jogadores da equipa verde, foram convidados a fazer uma visita a essa estrutura onde mostraram aos jogadores do Fayal Sport o “super mercado Piex” lá existente. Aqui, com o pouco dinheiro que cada um possuía, foram adquiridos, chocolates americanos “Lyon”, “Mars”, “Snickers” e outros para, no regresso, oferecer os mesmos aos nossos familiares.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 25 de Junho 2018

segunda-feira, julho 09, 2018

domingo, julho 08, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Nas festas de Santo Cristo, S. Miguel (1961)


De pé, da esquerda para a direita: Vitor Azevedo, António Neves (Treinador) Manuel Raposo, Fernando Morisson. Manuel Cristo,
(elementos do “Trio Ouro Negro”),
Norberto Dutra, João Luís, Victor Pinheiro e Victor Macedo (Presidente da Direcção).
Em 1º plano, pela mesma ordem: José Silveira, Francisco José, Armando Sousa, Mário Barbosa, João Ângelo, Antero Gonçalves e Carlos Vasques.


Nesse ano, o FSC foi convidado, pela Associação de Futebol de Ponta Delgada, a participar num torneio de futebol, integrado no programa dedicado aos festejos do Senhor Santo Cristo, defrontando o Santa Clara, o União Micaelense e o Operário Sport Club.
A equipa saiu da Ilha do Faial a bordo do navio “Carvalho Araújo” (?) e foi instalada na “Pensão Central”, num sala de boas dimensões – que mais parecia uma camarata -  cujos colchões estavam espalhados no chão, junto às paredes. Era nesse quarto que os elementos do FSC se iriam acomodar, do mesmo modo que era na referida Pensão que os jogadores faziam as suas refeições.
Pela Associação de Futebol de Ponta Delgada, aos jogadores do Fayal Sport, foi-lhes oferecido um passeio à Lagoa das Furnas onde, pela primeira vez, apreciaram um cozido à portuguesa e onde alguns dos jogadores faialenses tiveram a oportunidade de ver de perto um dos maiores espectáculos oferecidos pela natureza.

Como nessas épocas, o tempo de permanência era grande, os elementos visitados e participativos nas competições desportivas açorianas, faziam o possível para que existisse um convívio entre todos os visitantes e residentes, permitindo aos primeiros uma estadia mais salutar e descontraída. E assim foi sempre em todas as competições que nessa década de 1960 a equipa dos “Verdes da Alagoa” participaram nas ilhas Terceira e S. Miguel.
Na mesma pensão, estava instalado o “Trio Ouro Negro”, do qual dois dos seus elementos faziam questão de conviver com os jogadores do FSC. Houve fotos que foram tiradas e que ficaram registadas para a história, principalmente aquela onde, após a vitória do Fayal Sport Club ao Santa Clara por 2-1, eles se encontram no centro da mesma e a que é tirada no interior da Pensão Central.
O Victor Azevedo, guarda-redes, durante o dia, “aproveitava” para fazer pesca desportiva e à tarde os jogadores conviviam com os dois elementos do “Trio Ouro Negro”, antes dos mesmos actuarem no "Solar da Graça".

Os dois elementos do “Trio Ouro Negro” em pleno convívio com a equipa do FSC, no interior da “Pensão Central”, em Ponta
Delgada, no ano de 1961

Desse torneio ficou gravado uma situação passada antes do jogo contra o Santa Clara que se realizaria num domingo.
Na véspera do jogo, foi determinado pelos responsáveis da equipa que todos os jogadores teriam que estar na Pensão antes da meia-noite. Quem chegasse depois dessa hora, não dormiria na Pensão e nem jogaria no dia seguinte. Essa decisão foi deliberada, partindo do princípio de que todos os jogadores iriam cumprir com o determinado.

Abrangido por esta decisão esteve o nosso amigo Victor Pinheiro. Passava da hora aprazada quando se houve alguém bater na porta. O jogador que tinha a chave em seu poder não se levantou para a abrir. Essa penalização não o impediu depois do jogo com o Santa Clara, de ser incluído na foto que é exposta no presente trabalho.
Na véspera, tinha seguido para a América do Norte, o excelente jogador Manuel Vasques, “campeão açoriano” em 1959 e com a falta do Victor Pinheiro, jogador de grande habilidade e também “campeão açoriano”, a equipa do FSC partia para o referido jogo bastante fragilizada.
No final da partida, quis o destino que o FSC ganhasse o jogo por 2-1. Os golos foram marcados por Armando Sousa e João Luís.

Na segunda-feira seguinte, como havia vários jogadores do FSC que praticavam também basquetebol, a equipa foi convidada a fazer um jogo contra o Clube União Desportiva. Após o jogo e nessa mesma noite, toda a equipa embarcou no navio “Lima” com destino a Angra do Heroísmo.
Na terça-feira, logo de manhã, o FSC fez um jogo particular contra o “Angrense” e nesse mesmo dia, à tarde, realizou outro jogo contra o Marítimo da Graciosa.
E assim se recorda a segunda viagem efectuada pelos primeiros jovens residentes na Conceição, que iniciavam a sua participação na primeira categoria dos “Verdes da Alagoa”: Norberto Dutra, João Luís, Armando Sousa, Mário Barbosa e Carlos Vasques.
Presentes nesta foto, Norberto Dutra, Armando Sousa e Mário Barbosa emigraram para os Estados Unidos. Victor Pinheiro e Carlos Vasques fixaram, meses mais tarde, residência em Ponta Delgada.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 18 de Junho 2018

sábado, julho 07, 2018

sexta-feira, julho 06, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Deslocação à Ilha Graciosa (1960)


De pé, da esquerda para a direita: José Machado, Manuel Cristo, José Cordeiro, Manuel Vasques, João Luís, Manuel Raposo, Fernando Morisson e Norberto Dutra.
Em 2.º plano: João Rodrigues, Mário Barbosa, João Ângelo,
Victor Pinheiro e Antero Gonçalves.

No ano de 1960, os primeiros de uma série de jogadores que residiam na freguesia da Conceição, iniciaram o percurso de muitos outros que passariam a fazer parte da “época de ouro” do Fayal Sport Club.
Nesse ano deslocam-se à Ilha Graciosa, para participar no programa das Festas do Senhor Santo Cristo, que se realizaram no dia 15 de Agosto. E esses jovens integraram a caravana “verde” talvez pelo facto de alguns dos seus jogadores, que tinham ganho, na época anterior, o Torneio de Classificação à Taça de Portugal, em Ponta Delgada, terem emigrado para os Estados Unidos da América do Norte.

O convite teve a influência do Prof. Manuel Maria Duarte, na época a dar aulas numa escola primária daquela ilha e grande desportista do FSC. Um ano mais tarde, a Direcção do Clube da Alagoa retribuiu o convite ao Marítimo da Graciosa, oferecendo à caravana graciosense, na Quinta de S. Lourenço, um lauto almoço, no qual participaram jogadores, directores e sócios do FSC.
A viagem de barco para a Ilha Graciosa, foi efectuada num dos pequenos iates do Pico: “Terra Alta”, “Santo Amaro” ou “Espírito Santo”. Foi num destes que a equipa foi transportada àquela ilha, onde foi recebida por uma banda de música e muitos populares.

A cada jogador e dirigentes foi-lhes oferecida uma garrafa de vinho branco da Graciosa e proporcionados outros eventos ocupacionais, tais como bailes e passeios. Foi nessa deslocação à Ilha Graciosa que tiveram a oportunidade de visitar e observar o grandioso espectáculo da natureza que é a Furna do Enxofre.
Na foto impressa já não se encontram os vencedores do Torneio de Classificação à Taça de Portugal: Afonso Serpa, Manuel Gaspar e Ilídio Pacheco, que emigraram para os Estados Unidos logo após a conquista da referida prova no ano anterior. Todos eles tinham residência na freguesia da Conceição.
Na equipa que se deslocou à Ilha Graciosa, encontram-se incluídos os estreantes duma série de jovens nascidos ou residentes na freguesia Conceição: Mário Barbosa (17 anos), Norberto (18 anos) e João Luís (17 anos).

Nesta foto, José Cordeiro, Manuel Vasques, Norberto Dutra, João Rodrigues e Mário Barbosa, por influência do Vulcão dos Capelinhos, iriam emigrar meses (ou poucos anos depois) para os Estados Unidos e Victor Pinheiro iria para Ponta Delgada exercer as funções de professor primário.
Com estas ausências, que durante a década de 1960 foram sendo efectuadas por muitos jogadores, a equipa de seniores foi, em todas as épocas, sendo renovada pela maioria de jovens nascidos ou residentes na freguesia da Conceição, conforme se vai divulgando nas diversas fotos inseridas nas colunas deste jornal.

Durante os anos sessenta do século passado, fizeram parte da “equipa de ouro” do Fayal Sport Club, jogadores que contribuíram para a história do decano dos clubes açorianos e que nas colunas deste jornal já fizemos referência. Com a maioria desses jogadores percorremos nessa década, todas as ilhas do Grupo Central até à Ilha de S. Miguel.
Algumas destas viagens também eram efectuadas nos navios “Carvalho Araújo”, “Lima”, “Angra do Heroísmo” e “Funchal” -  o mais moderno de todos - quando os torneios se realizavam nessas ilhas ou ainda nos navios mais pequenos, tais como o “Ponta Delgada”, “Cedros” ou “Arnel”.
Para a Terceira, o transporte podia ser num destes navios como podia ser a bordo dos barcos do Pico: “Terra Alta”, “Santo Amaro” ou “Espírito Santo”.

Em muitas destas viagens e principalmente nos designados “Barcos do Pico”, os jogadores podiam dormir num pequeno beliche, geralmente ocupado por outros passageiros ou no porão sobre a carga, ou ainda no chão do portaló, facto que algumas vezes sucedeu.
E era nessas condições, que diríamos de pouca segurança e comodidade, que os jovens desse tempo percorriam os mares dos Açores, para defenderem as cores do seu clube.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 04 de Junho 2018

quinta-feira, julho 05, 2018

quarta-feira, julho 04, 2018

terça-feira, julho 03, 2018

VII AtlânticFut Cup



As equipas de Benjamins e Infantis do Fayal Sport Club estiveram no passado fim de semana na ilha de São Jorge, participando na 7ª Edição do AtlânticFut Cup, organizado por essa escola de futebol.

Em ambos os escalões o vencedor foi o União Micaelense. Registar, que a equipa de Benjamins do Fayal Sport alcançou as meias-finais neste torneio, sendo derrotado precisamente pelo vencedor da prova.

segunda-feira, julho 02, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Os primeiros pontapés com a camisola dos "Verdes da Alagoa"


Em pé da esquerda para a direita: Jorge Terra (Director), Mário Barbosa, Cardoso, Amílcar Quaresma, Américo Antunes. João Luís, Mário Martins, Norberto Dutra,
e Manuel Vasques (Treinador).
Em segundo plano da esquerda para a direita: Fernando Faria, José Silveira
Mário Simas, Helder Porto, Andrade e Manuel Almeida.

Tem chegado ao nosso conhecimento de que esta série de escritos tem sido lida e apreciada por muitos amigos da nossa juventude, principalmente os faialenses residentes na diáspora, das mais diversas formas nos têm manifestado a saudade desses velhos tempos. Será por isso e em honra do decano dos clubes açorianos, dos seus desportistas e adeptos, esta série estender-se-á por mais algumas semanas.
Assim e continuando, diríamos que na época em que éramos muito jovens, as residências desse tempo não possuíam quartos de banho. No quintal de quase todas as residências existia uma retrete e nos quartos de dormir, um penico e os colchões eram feitos de peça de fazenda “recheada” com palha ou folha de maçaroca.
Nesses apetrechos, se executavam as nossas necessidades e para o banho higiénico, era usada uma pequena celha de madeira, onde eram lavados os pés, com sabão azul e o resto do corpo era esfregado aos poucos com uma toalha. Em plena época de Verão, era as águas límpidas da ribeira da Conceição e da “nossa” praia da Alagoa que nos servia de banho higiénico, ao mesmo tempo que calcorreávamos a areia atrás de uma bola. Fosse ela qual fosse: de pano, bexiga de porco ou de borracha.

O gosto de jogar à bola era tanto, que ninguém reclamava nem exigia fosse o que fosse. Se nas ruas da Conceição grande parte desses jovens jogava de pé descalço, muito satisfeitos ficávamos por calçar um par de botas. Nesse tempo, o futebol era considerado como uma “escola de virtudes”. Na realidade, para jovens que tinham sido criados nos arredores da “Rua Velha”, os treinadores que conhecemos não usavam palavrões, demonstrando a esses miúdos que depositavam neles muita confiança como futuros jogadores e muito respeito como pessoas. E foi com o contributo desses treinadores que os jovens do nosso tempo subiram, degrau a degrau a “escada da vida”.
As bolas de futebol (nos treinos e nos jogos, só existia uma) e as botas, eram executadas na “Sapataria Mascote”, cujo proprietário era Sr. Eduino Cândido o qual tinha sido jogador na década de 1930 do século passado, tendo pertencido ao “Onze Maravilha”.
As botas, em campos “relvados”, levavam pitons e nos pisos de terra batida – casos do Municipal de Angra do Heroísmo e Campo Jácome Correia, em Ponta Delgada - tinham que ir novamente à sapataria para substituir os pitons por travessas. Estas alterações só aconteciam quando o FSC se deslocava a estas duas ilhas para disputa de torneios açorianos.

Nas ruas da freguesia da Conceição, ao lado de muitos rapazes que também tinham grande gosto pela “redondinha”, jogava-se de manhã à noite, partidas de futebol, nas quais dois deles “puxavam cabeças” para formar cada um a sua equipa.
É claro que principiavam pelos melhores e para o fim ficavam sempre os menos habilidosos que iam completar o número suficiente para formar duas equipas.

Na maioria das vezes, cada partida mudava de campo a cinco e acabava em 10 golos. No “Alto” – onde se encontra implantado o edifício do Tribunal da Comarca da Horta - ou no lado de fora do Estádio do Fayal Sport Club, na Avenida Machado Serpa, Rua Conselheiro Miguel da Silveira (conhecida pela Rua do mar)  - a rapaziada dessa época tinha que arranjar uma bola – note-se que não havia muitas – fosse de que maneira fosse.
Na praia da Alagoa, a rapaziada participava em partidas de futebol e jogos de “cabeçada” e foi nesta prática que lhes serviu mais tarde, como jogadores, acompanhar devidamente o movimento da bola, saltando de cabeça no momento oportuno e, assim, levar a melhor sobre o seu adversário.
Se aparecesse uma bola feita de trapos, uma de bexiga de porco cheia de ar, outra de panos, ou mesmo uma pequena bola de ténis, tudo servia de pretexto para se dar uns pontapés e correr atrás de um qualquer objecto esférico.

Nessa época, cansados de tanto correr, bebia-se água em celhas, feitas em madeira, que se encontravam junto às linhas de roupa estendidas a secar no “Alto”.
Quando esta geração iniciou os seus pontapés numa bola de cabedal, no Estádio da Alagoa, depois de um treino ou de um jogo de futebol, existiam os duches mas… de água fria. E assim foi, durante alguns anos, até chegar o famoso esquentador, que apareceu no início da década de 1960.
Os jovens treinavam à tarde e o primeiro treinador da nossa geração foi o Sr. Artur Raposo Ferreira, antigo futebolista dos “Verdes da Alagoa”, de cuja foto não possuímos. A inscrição dos jogadores que iniciaram os seus primeiros pontapés na bola, nessa época, era efectuada nas instalações da antiga sede (ao pé do Lar de S. Francisco) pelo Director Sr. Álvaro Ennes da Costa de Bem Ramos.

Na foto (provavelmente tirada em 1957) encontra-se o José Silveira, natural da Freguesia dos Flamengos, o qual, nos dias de treino, se deslocava a pé da sua freguesia para os treinos. Não sabemos se depois o seu regresso era feito através de alguma viatura ou se regressava a pé. Citamos este facto como um exemplo de alguém que estava disposto a percorrer uns bons quilómetros para satisfazer o seu desejo de jogar ao futebol.
E todos nós, sempre “rodeados” por uma bola, tínhamos tempo para frequentar a escola, embora se saiba que alguns de nós, não a frequentámos principalmente devido à falta de condições financeiras de nossos pais.
Eram outros tempos.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 04 de Junho 2018

domingo, julho 01, 2018

Basquetebol



A equipa de Mini 12 do Fayal Sport, esteve na ilha de Santa Maria a participar no VII Torneio Nacional de Minibasquete, numa prova que acima de tudo é de enaltecer o convívio existente entre todas as formações, numa excelente propaganda para a modalidade.


RESULTADOS E CLASSIFICAÇÕES - MINI 12

GRUPO A

1ªjornada

Belenenses Feminino 58-28 Clube Ana
Fayal Sport 22-52 União Sportiva
Operário 55-22 Atlético

2ªjornada

Clube Ana 17-43 Fayal Sport
Atlético 29-41 Belenenses Feminino
União Sportiva 32-46 Operário

3ªjornada
Operário 31-16 Clube Ana
Fayal Sport 23-21 Belenenses Feminino
Atlético 20-34 União Sportiva

4ªjornada
Clube Ana 16-67 União Sportiva
Belenenses Feminino 36-45 Operário
Fayal Sport 32-33 Atlético

5ªjornada
Atlético 42-24 Clube Ana
União Sportiva 50-35 Belenenses Feminino
Operário 44-30 Fayal Sport

Classificação:
1º Operário 10 pontos
2º União Sportiva 9 pontos
3º Belenenses Feminino 7 pontos
4º Fayal Sport 7 pontos
5º Atlético 7 pontos
6º Clube Ana 5 pontos


GRUPO B

1ªjornada
Belenenses "B" 40-26 Belenenses "A"
Angra Basket 26-16 CD Escolar
Os Vitorinos  4-17 Lusitânia

2ªjornada
Belenenses "A" 28-8 Angra Basket
Lusitânia 7-79 Belenenses "B"
CD Escolar 44-15 Os Vitorinos

3ªjornada
Os Vitorinos 4-43 Belenenses "A"
Angra Basket 24-85 Belenenses "B"
Lusitânia 16-23 CD Escolar

4ªjornada
Belenenses "A" 51-27 CD Escolar
Belenenses "B" 85-4 Os Vitorinos
Angra Basket 29-12 Lusitânia

Classificação:
1º Belenenses ""B" 8 pontos
2º Belenenses "A" 7 pontos
3º Angra Basket 6 pontos
4º CD Escolar 5 pontos
5º Lusitânia 5 pontos
6º Os Vitorinos 4 pontos


SEGUNDA FASE

Apuramento 11º e 12º
Clube Ana 32-26 Os Vitorinos

Apuramento 9º e 10º
Atlético 24-14 Lusitânia

Apuramento 7º e 8º
Fayal Sport 39-24 CD Escolar

Apuramento 5º e 6º
Belenenses Feminino 21-31 Angra Basket

Apuramento 3º e 4º
União Sportiva 27-25 Belenenses "A"

Final
Operário 34-58 Belenenses "B"

Classificação Final:
1º Beleneneses "B"
2º Operário
3º União Sportiva
4º Belenenses "A"
5º Angra Basket
6º Belenenses Feminino
7º Fayal Sport
8º CD Escolar
9º Atlético
10º Lusitânia
11º Clube Ana
12º Os Vitorinos

sábado, junho 30, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Os Campeões Açorianos


De pé, da esquerda para a direita: Fernando Menezes (Director), Afonso Serpa, Manuel Gaspar, Manuel Vasques, Ilídio Pacheco. Manuel Cristo,
Manuel Moniz (Raposo), José Machado e Gui Pacheco.
Em 1.º plano, da mesma forma: Luís Almeida, Vítor Pinheiro, Gaspar Neves, Antero Gonçalves, Eduino Costa e Fernando Morisson.

Nossos pais são naturais de S. Miguel. Nosso pai nasceu na freguesia dos Arrifes e nossa mãe no lugar da Várzea, freguesia dos Ginetes.
Pela viagem, com destino à nossa ilha, nosso pai pensou para consigo próprio: se a ilha do Faial possuísse um clube de futebol de cores verdes, ele seria adepto desse clube.
No início da chegada de nossos pais a esta ilha, instalaram-se na freguesia da Conceição e, para surpresa sua, no primeiro jogo que assiste vê uma equipa de futebol vestida com uma camisola verde e calções brancos. Rejubilou de alegria.
O seu clube, em S. Miguel era o Clube União Desportiva, que também equipava de verde.
A mensagem do verde foi transmitida aos filhos e por sermos jovens e por termos vários espaços nas ruas da freguesia à nossa disposição – com excepção da presença ao longe de um polícia – a simpatia pelo Fayal Sport ficou à disposição da maioria dos jovens da freguesia, que nesses anos, diga-se de passagem, existiam por todo o lado.

Nosso pai que estava ligado à pastelaria e à cozinha, na época de 1958/59 em que o Fayal Sport venceu, em Ponta Delgada, o Torneio de Classificação à Taça de Portugal, a sua colaboração, segundo testemunho que nos foi dado pelo Sr. Fernando Manuel Machado Menezes, contribuiu em muito para essa vitória.
Para além da família, tinha mais uma paixão que se chamava “Fayal Sport Club”. Por este clube ele fazia tudo o que lhe era possível. No ano em que esta colectividade foi vencedora do Torneio de Classificação à Taça de Portugal, disputado em 1959, em Ponta Delgada, era ele que levava para o balneário dos jogadores, os bolos que não eram vendidos por minha mãe, nas ruas da nossa cidade e preparava as sandes de pão com manteiga e o leite com cacau para dar aos jogadores em cada sessão de treino, que era realizado de manhã cedo, porque no início da sua construção, o estádio não possuía postes com luz eléctrica e também se lavavam em água fria. Tanto o pão como o leite e o cacau, eram suportados por um grupo de sócios, que pagando uma quota suplementar, asseguravam o fornecimento do pequeno almoço dos jogadores.

Depois deste compromisso, regressava ao espaço da “Padaria Faial”, situada no Largo do Bispo e onde hoje funciona uma loja de venda de roupa e continuava o seu trabalho de pasteleiro e de padeiro.
O Fayal Sport Club foi o vencedor do Torneio de Classificação dos Açores à Taça de Portugal, disputado em Ponta Delgada, obtendo os seguintes resultados:
FSC, 2 – SCAngrense, 1
CUMicaelense, 1 – SCAngrense, 1
FSC, 2 – CUMicaelense, 2
Para a história do Fayal Sport e relacionado com esta conquista, temos a honra de transcrever a crónica histórica publicada no livro “Fayal Sport Club – Subsídios para a sua história”, da autoria do Sr. José Bettencourt Brum:
“Na época de 1958/59, o Fayal Sport Club, em representação da Associação de Futebol da Horta, deslocou-se a Ponta Delgada a fim de disputar o Torneio de Classificação dos Açores à Taça de Portugal, defrontando o Sport Clube Angrense e Clube União Micaelense.
Deste confronto saiu vencedor, deslocando-se então à Madeira, onde sucumbiu, honrosamente, frente à valorosa turma do Clube Sport Marítimo (0-1 e 0-3).
Em face do seu comportamento na prova, os desportistas do Fayal Sport Club foram alvo das mais entusiásticas provas de amizade e simpatia de organismos desportivos de outras ilhas e de seus simpatizantes nelas radicados, das quais poderemos destacar:
 Simpática recepção que o Colónia Faialense de Santa Maria lhes dispensou, ofertando-lhes uma taça, sendo também obsequiados com um Porto de Honra, oferecido pelo “Clube Asas dos Atlântico”.

Os faialenses residentes na Terceira, quiseram também homenageá-los, impondo-lhes as faixas de campeões e oferecendo-lhes uma taça, bem como um almoço no Monte Brasil.
Na sua passagem pela Graciosa, os desportistas faialenses foram alvo de simpática homenagem, tendo sido também obsequiados com um “copo de água”.
A Associação de Futebol de S. Miguel ofereceu-lhes um passeio e almoço regional nas Furnas.
No Funchal, a respectiva Associação de Futebol, ofereceu-lhes um almoço e um passeio, sendo também homenageados pelo Clube Sport Marítimo e Centro Açoriano, com passeios e “copos de água”.
A 3 de Maio de 1969, o jornal do Fayal Sport Club escrevia, na sua edição N.º 35, a propósito da deslocação do vencedor açoriano a terras madeirenses para defrontar a categorizada equipa do Marítimo, cujo título era o seguinte:
“Há 10 anos, o Fayal Sport na Madeira – Campeões da simpatia:
Ir à Madeira era um sonho de anos dos futebolistas do Fayal Sport.
Todavia em virtude dos enormes encargos de uma deslocação de tão grande monta, e uma vez que não tínhamos o cartaz necessário para acarretar com tal despesa, essa aspiração só poderia ser concretizada se o Clube conseguisse conquistar, em campo, o direito de representar os Açores na eliminatória com a Madeira para a Taça de Portugal e, ainda, no caso em que esta prova se efectuasse no Funchal.
E, por feliz e agradável coincidência, tal facto aconteceu, precisamente, quando o Fayal Sport comemorou o Cinquentenário.
Ganho, em Ponta Delgada, o memorável Torneio Açoriano e demovidas todas as dificuldades surgidas por uma segunda deslocação, a equipa “verde” do Faial embarca no já velho “Lima”, a 26 de Abril de 1959, pela primeira vez, rumo à Madeira.
Dois objectivos levavam os briosos desportistas – prestigiar o futebol açoriano e contribuir para um maior estreitamento nos laços de amizade que unem os dois arquipélagos e, de modo especial, as ilhas – Faial, Jardim do Açores e Madeira, Pérola do Atlântico.
E, gostosamente, recordamos que os nossos jogadores conseguiram inteiramente o intento, pois não só alcançaram o melhor resultado feito na Madeira por um grupo açoriano, na difícil competição (uma derrota por 1-0), como também foram cognominados de “Campeões da Simpatia”.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 21 de Maio 2018

sexta-feira, junho 29, 2018

Basquetebol



Foto: página oficial do Fayal Sport Club - Facebook

Calendário de Jogos

Sub-14

CB Tavira-Fayal Sport
Fayal Sport-Sporting

Sub-16

CB Tavira-Fayal Sport
Beja-Fayal Sport
Fayal Sport União do Forte
Belenenses-Fayal Sport
Fayal Sport-Sporting

quinta-feira, junho 28, 2018

Basquetebol


Foto: fayalbasket.com

As equipas de sub-14 e sub-16 do Fayal Sport já se encontram em solo continental, de forma a participar no VI Torneio de Basquetebol Cidade de Tavira.

A comitiva das duas equipas são constituídas pelas seguintes jogadoras:

- Alexandra Salgado
- Beatriz Neves
- Catarina Pereira
- Diana Silveira
- Inês Garcia
- Inês Morais
- Inês Sousa
- Leonor Luna Silva
- Leonor Silva
- Maria João Silva
- Mariana Faria
- Mariana Medeiros
- Marta Machado
- Matilde Morato
- Rafaela Dias
- Rita Russo
- Rita Silva
- Sara Silveira

Treinadora: Gracinda Andrade
Treinadora: Ana Mota

quarta-feira, junho 27, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Estádio da Alagoa: o primeiro dos Açores



Éramos miúdos que calcorreavam quase todas as ruas da freguesia da Conceição. A Rua Velha, por motivos que não interessa nestas linhas recordar, era-nos interditada por nossos pais, pelo que a rapaziada dessa época, só de “longe” por lá passava.
Uma das áreas mais frequentada por nós era o “Alto”, já aqui mencionado e foi neste lugar, no lado virado a norte, que era extraído entulho para o estádio.

Aqui se recorda que os muros da ribeira da Conceição, suportavam uma “linha-férrea” que era percorrida de cá para lá e de lá para cá, por um pequeno carro de ferro que transportava o entulho do “Alto” para o estádio. Aqui, os trabalhadores desengatavam o fecho de segurança e fazendo força num dos lados, todo o entulho era despejado no sítio desejado.
Esses carros serviram muitas vezes, de alternativa das nossas brincadeiras. Como todos os jovens, o instinto da aventura obrigava a que nós saltássemos para dentro desses pequenos carros e parássemos no piso do futuro estádio.

A propósito da construção do estádio, leia-se o que escreveu alguém que deixou história no clube da Alagoa:
“Em 1936 o FSC possuía o seu campo no Relvão da Doca, na freguesia das Angústias, espaço que não possuía vedação, não permitindo, por isso, receitas compensadoras.
À procura de espaço para a sua construção, os vários dirigentes, fizeram várias demarches junto de organismos administrativos locais no sentido de ser construído o tão desejado campo de futebol, sendo o local escolhido o espaço hoje ocupado pelo Bairro da Boa Vista. Este local foi posto de lado e, novamente, o Fayal Sport por vários sítios da cidade andou à procura de espaço para a construção do seu campo de futebol. E assim, depois de várias tentativas e contactos, vieram a descobrir que o terreno situado na Alagoa, propriedade do Estado e que em breve iria ser posto à arrematação, seria o local desejado para implementar o seu campo de futebol.

Em 1938, foi requerido ao Ministério das Finanças a troca do campo do Relvão da Doca pelo terreno do Estado sito na Avenida Machado Serpa, sendo cedido aos “Verdes da Alagoa” em 1939.
Devido a esta troca, apareceram pessoas ligadas a outros clubes que tentaram impedir que tal “negócio” se efectuasse e como tais intenções não produziram o efeito desejado, apareceu um indivíduo vindo da América que influenciado pelos adversários do FSC requereu a compra, por 60 contos, do terreno que havia sido cedido pelo Estado.
Esta “brincadeira” custou caro, uma vez que foi mandado fazer nova avaliação dos terrenos que custaram, durante 10 anos, a obrigação de pagar a importância de 1.500$00.
Para a realização desta formidável obra era mister a constituição duma comissão que a orientasse e dirigisse.

A Assembleia-Geral do Clube assim o reconheceu e em sua sessão de 28 de Outubro de 1940 nomeou a seguinte comissão, que tomou conta da realização do primeiro período de trabalhos: Joaquim da Silva Viana, Luís da Terra, Carlos Ennes da Costa Ramos Jr., José Cunha de Lacerda e António da Rosa Dutra Goulart.
Como o compasso de espera entre este primeiro período de trabalhos e o segundo durou cerca de 10 anos, foi necessário nomear uma nova comissão para dirigir os respectivos trabalhos.
A Assembleia-Geral, em sua reunião de 11 de Março de 1951, nomeou então a seguinte comissão executiva, (CEPE) a quem deu absoluta autonomia: Luís Whitton da Terra, António Simões Pinto e António da Rosa Dutra Goulart.

O Estádio foi festivamente inaugurado no dia 11 de Julho de 1954 com um inesquecível festival, perante esfusiante entusiasmo da massa desportiva, entusiasmo a que talvez só aparentemente correspondiam os dirigentes do Clube, pois só eles sabiam que a maravilhosa obra acabada de realizar colocara o Clube à beira dum terrível abismo.
O nosso grito de alarme foi generosamente escutado por Sua Ex,ª o Sr. Ministro das Obras Públicas, Exm.º Sr. Eng.º Eduardo de Arantes e Oliveira que, por seu despacho  de 11-11-1954 concedeu um reforço de comparticipação na importância de 88.000$00, perfazendo assim uma comparticipação de 40% modificando-se então toda a nossa situação que se transformou de trágica em risonha.
E assim mais uma vez a divisa venceu CRER E QUERER”. (*)
E foi no ervado deste Estádio que conhecemos, para além da erva tradicional e do trevo, a “erva cavalo” – espécie de espiga rija que tinha quase o mesmo aspecto do “rabo de cavalo” - que obrigava os contínuos a cortá-la periodicamente, uma vez que ela crescia rapidamente.

Pois foi numa dessas “moitas” que o inesquecível Manuel Cristo da Silva, num treino, ao esticar a perna para controlar o esférico com o pé esquerdo, prende os pitons numa delas, partindo o perónio. Decorria a época de 1967/68 quando este incidente ocorreu.
Em algumas épocas de Verão, como o piso do campo não era usado, esta erva crescia de tal modo que, depois de cortada, era vendida pela Direcção em fardos para alimentar animais ruminantes.

(*) Foto e texto extraídos do livro “Fayal Sport Club – Subsídios para a sua história” da autoria do Sr. José Bettencourt Brum que, para além de ter sido Presidente da Direcção e da Assembleia Geral, esteve sempre ligado às obras do Estádio e da construção do ginásio.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 18 de Maio 2018

terça-feira, junho 26, 2018

Basquetebol


Arranca hoje mais um Torneio Nacional de Minibasquete, a ser disputado na ilha de Santa Maria, contando com a presença de vários clubes nacionais. O Fayal Sport estará representado no escalão de sub-12.

A equipa de sub-12 é constituída pelas seguintes jogadoras:

- Alice Duarte
- Celina Garcia
- Diana Dutra
- Isabela Lucas
- Leonor Coelho
- Margarida Escobar
- Margarida Lourenço
- Maria Ramos
- Marta Morais
- Matilde Vargas
- Rita Carlos

Treinadora: Viviana Vieira
Treinadora: Sara Manteiga

segunda-feira, junho 25, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Recordações da nossa juventude


De pé, da esquerda para a direita: António Costa, António Dutra, António Garcia (que viria a ser campeão açoriano, em 1959, como treinador),
João Rodrigues (treinador), António Torres Neves,
João Fernandes e António P. Neves.
Sentados, da esquerda para a direita: Thiers Lemos Jr., Joaquim Morisson,
Eduino Cândido, Armando Amaral e Manuel Bulcão.

Julgo não ser muito natural que pessoas da minha geração se debrucem e recordem situações que aconteceram durante a sua juventude. Foi nesses anos em que éramos “donos” das ruas onde brincávamos. E essa “propriedade” era nossa enquanto não fosse lançado o aviso de alerta de que “vem aí o polícia”.
Cada um fugia para o seu lado e aquele que tinha a bola, consigo a levava, porque era um bem precioso. As pequenas bolas de futebol não existiam com fartura e o dinheiro para as adquirir, era mesmo muito pouco.
Como exemplo, para se realizar uma partida de “hóquei em patins” havia alguém que se deslocava à ex-Colónia Alemã, onde existia um campo de ténis e pelos seus arredores andava à procura de uma bola perdida. A maioria dos “sticks” não eram de madeira, mas sim, feitos com as canas e suas raízes que tivessem o formato desejado, que existiam nas imediações da Espalamaca e cujo exímio executante era o nosso amigo Jaime Almeida (Paciência).
Nas ruas cobertas de bagacinha, alguns que tinham como “sola de sapato” a “sola do pé”, de vez em quando, sofriam as consequências da sua vulnerabilidade uma vez que estavam sujeitos a sofrerem as consequências de obterem, uma “trelhadura” na sola do pé. Esta bolha de sangue, surgia porque o pé pisava determinada pedra que dias depois, dava origem a que não se conseguisse colocar o pé no chão. Esta bolha, ora aparecia na parte da frente ora no calcanhar do pé obrigando a que se andasse de “pé coxinho”.
Para o tratamento desse ferimento, nossas mães, usavam sopas de pão quente – amarrando-as ao pé com um pano - para amolecer a bolha e poucos dias depois, usavam uma lâmina de barbear, cortando-a ao meio onde faziam uma abertura na bolha de sangue e depois era desinfectada com aguardente. 
A acompanhar este acontecimento, havia outro também doloroso e que era conhecido como “topada”. Durante uma partida de futebol onde participavam 10 ou 12 rapazes, de vez em quando, o pontapé atingia uma pedra que se encontrava meio escondida no piso térreo e lá se abria um golpe numa das cabeças dos dedos do pé. Para estancar o sangue que corria abundantemente, a rapaziada recorria às teias de aranha que eram encontradas nos imensos arbustos que existiam por todo lado ou nas paredes da ribeira da Conceição.
Mas andar de pé descalço naquelas épocas era um risco enorme. Para além destes incidentes, existia outro que não era menos doloroso. O piso do “Alto” era coberto com erva e trevo. Este, ao expor a sua flor, originava que as abelhas lá pousassem para colher o seu néctar. Os jovens da nossa geração, na ânsia de correr atrás da bola, lá pisavam a abelha e ao mesmo tempo levavam uma ferroada. Esta picadela se não fosse “tratada nas devidas condições”, o pé infectava e como tal inchava. Para sarar este mal, a única cura que era conhecida naquele tempo, era dirigirmo-nos aos nossos companheiros nestes termos: “Quem tem vontade de urinar? Levei uma ferroada de uma abelha e preciso da vossa ajuda”.
Para além destas três formas de proceder, ainda havia outra em que o cão era o “curandeiro”, ao lamber a ferida do “sinistrado”. A razão que a saliva do cão possuía meios curativos para qualquer tipo de ferida, para os jovens desse tempo, era desconhecida, mas sabia-se que esse processo era uma das maneiras de cura.
E era nestas condições que muitos jogadores da nossa juventude aprenderam a dar uns pontapés na bola, seguindo o exemplo daqueles que no campo da Alagoa, pertenceram e pertenciam às fileiras desportivas do decano dos clubes açorianos.
E como esta série de artigos diz respeito aos “Verdes da Alagoa”, é grato recordar o nome das pessoas que ainda tivemos a honra de conhecer, não como jogadores mas como cidadãos desta cidade e que estão sublinhados na foto abaixo impressa e proveniente do livro a seguir citado.
 Foram jogadores como estes que, nas décadas anteriores e seguintes do século passado, influenciaram e contribuíram de uma maneira ou de outra, todos os amigos da nossa juventude (e não só) a calçarem um par de botas.
Esta equipa, segundo o relato descrito no livro “Fayal Sport Club – Subsídios para a sua história” da autoria do Sr. José Bettencourt Brum (que foi durante muitos anos Presidente da Direcção e Presidente da Assembleia-Geral) e publicado em 1988, era designada por “Onze Maravilha”, vencedora dos campeonatos distritais em 1938 e 1939 e Torneio de Classificação, em 1940

J. Luís

Publicado no Incentivo a 14 de Maio 2018

domingo, junho 24, 2018

sábado, junho 23, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - Campeões da Conceição


Em 1.º plano, da esquerda para a direita: Armando Sousa, Mário Barbosa,
João Luís, João Ângelo, Victor Pinheiro e Carlos Vasques.
De pé, pela mesma ordem: António Andrade “Beirada”, Manuel Cristiano,
Raposo, Norberto Dutra, Antero Gonçalves, Manuel Cristo,
Fernando Morisson e Mário Baptista.


Na sequência do que foi escrito no trabalho anterior, terei que dizer que naquele tempo, o único lugar onde os jovens recorriam para todas as suas brincadeiras, era o espaço que nos era fornecido pelas ruas da nossa freguesia.

Para jogar à bola os espaços preferidos era o cimo do Alto (este espaço existia na área que hoje é ocupada pela bomba de gasolina e pelo tribunal e para além de campo de futebol improvisado, servia também de estendal de roupa) e a Avenida Machado Serpa. Aqui, tínhamos que ter algum cuidado com o pontapear o esférico, uma vez que se ele entrasse no estádio, o contínuo desse tempo, não nos devolvia a bola.

O piso da Avenida Machado Serpa era coberto de bagacinha, extraída principalmente do Monte Queimado - como também as restantes artérias da freguesia da Conceição - e era aí que a rapaziada jogava à bola, muitos de nós de pé descalço. Nas restantes ruas, principalmente Rua Juiz Macedo, Travessa do Bom Jesus, Rua Almeida Garrett, a rapaziada dedicava-se a jogar ao peão, à pata-mo-lhada, ao fura-paredes, às escondidas, ao quiquijá, etc..
Em pleno Verão, era a praia da Alagoa o nosso “campo” preferido para se jogar à cabeçada ou um jogo de futebol. No jogo da cabeçada, era usada uma bola e onde se defrontavam duas equipas, compostas por dois jogadores e a regra obrigatória era a de a bola ser jogada de cabeça para a baliza contrária, onde se encontrava a equipa adversária.
E foi nestes cenários que nasceu e cresceu a maioria dos jogadores que na década de 60 do século passado venceram o maior número de campeonatos da Associação de Futebol da Horta.

Recordando e esperando não cometer nenhuma injustiça, desejo nestas linhas registar os nomes de todos aqueles que nas décadas de 50/60 do século passado, fizeram parte de um núcleo de jogadores que deixaram na história do Fayal Sport Club algo que não deve ser nunca apagado nem esquecido.
Eis os nomes daqueles que na década de 1950 envergaram a camisola verde e que nasceram ou residiram na freguesia da Conceição:

Nascidos em 1930 e campeões açorianos em 1959: Afonso Serpa, Eduino Costa, Ilídio Pacheco, Luís Almeida, Manuel Gaspar, Manuel Cristo e Manuel Vasques. A maioria deles, depois desta conquista emigrou para os Estados Unidos. Ainda, pertencentes a esta década e que não foram campeões açorianos, mas que jogaram nos “Verdes da Alagoa”, temos Antero Lino, Carlos Vasques, Dionísio Capaz, José P. de Almeida, José Cordeiro, Mário Lobo, Manuel Cristiano e Manuel Dutra (Madeira).
Nascidos em 1940 e campeões distritais na década de 1960: António Andrade (Beirada), António Rocha, Armando Sousa, Carlos Capela, Carlos Machado, Costa Pereira, Emanuel Rodrigues (Barrinhas), João Almeida (Camacho), João Luís, João Ribeiro, Jorge Barbosa, Manuel Lima (Pirolito), Manuel Almeida (Batata), Manuel Melo (Paciência), Manuel Lino, Mário Pinto, Mário Barbosa (Zorrinha), Mário Martins, Necas Madruga, Rodrigo Pinto e Norberto Dutra (Fundão).

Muitos destes amigos emigraram para os Estados Unidos e por lá os encontrei quando, em 1965, a selecção faialense, treinada pelo Prof. Gaspar Neves (e jogador) se deslocou ao Estado de Massachussetts e novamente em 1975, integrando a equipa de seniores do FSC onde, por este Estado americano, encontrámos aqueles que nas décadas de 1950/1960 fizeram história no decano dos clubes açorianos.
Ainda nesse tempo, o Atlético possuía na sua equipa principal, jogadores que na sua maioria, eram naturais ou residentes na freguesia das Angústias. O Fayal Sport, também, na equipa principal tinha jogadores, na sua maioria, que eram naturais ou residentes na Conceição. O Sporting da Horta era constituído, na sua maioria, por jogadores que residiam nas freguesias da Matriz, Angústias e Conceição.

Passados que são mais de 50 anos e sem recorrer a nenhuma informação, julgo que na equipa de seniores do FSC, não há jogador algum que tenha nascido ou que tenha residência na freguesia da Conceição e que, presentemente, envergue a camisola do decano dos clubes açorianos. Se há jogadores que tenham nascido ou que residam nesta freguesia, julgo que devem ser muito poucos. Se existem, daqui envio as minhas felicitações.
Ao contrário dos dias de hoje, onde a presente geração se encontra refém das novas tecnologias, é difícil existir diálogos verbais entre duas pessoas. No tempo da nossa juventude, era na rua que se encontravam os amigos. E era assim, da forma mais natural, que se combinavam jogos de futebol ou outro tipo de brincadeiras.
Que saudades desses velhos bons tempos!
Será que estou a exagerar nesta expressão?

J. Luís

Publicado no Incentivo a 7 de Maio 2018

sexta-feira, junho 22, 2018

Férias no Campo



O Fayal Sport Club associa-se a este evento, promovendo o contacto com a natureza, num programa que contará com a inclusão de minibasquetebol.

quinta-feira, junho 21, 2018

"Os Verdes da Alagoa" - A história da "nossa" camisola 6


(Com as faixas de Campeão da AFH na época de 1968/69)

Em primeiro plano, da esquerda para a direita: João Almeida (Camacho), Manuel Silveira,
Carlos Machado, Manuel Bulcão, Fernando Faria e António Marques
De pé, pela mesma ordem: Costa Pereira, Mário Barbosa, João Ribeiro, João Luís, João Quadros,
Manuel Lima (Pirolito, filho), Manuel Cristo, Manuel Almeida (Batata) e Antero Gonçalves (Treinador).


Era eu um jovem de 12 anos e de pé descalço, quando me inscrevi nas categorias de formação do decano dos clubes açorianos e o primeiro par de botas que calcei foram abotoadas pelo meu amigo Victor Pinheiro, gesto que eu demonstrei que tinha dificuldade em executar.
Os anos passaram e aos 18 anos incompletos ingressei na 1.ª categoria e fiz parte da equipa que em 1960 se deslocou à Ilha Graciosa para participar no programa das Festas do Senhor Santo Cristo que se realizam em Agosto de cada ano.

Nessa época, os jogadores recebiam o seu número conforme o lugar que ocupavam dentro do campo. Exemplo: Guarda-redes, 1; defesa direito, 2; defesa central, 3; defesa esquerdo, 4; médio direito, 5; médio esquerdo, 6; extremo direito, 7; interior direito, 8; avançado centro, 9; interior esquerdo, 10; e extremo esquerdo, 11.

Da história que conheço do decano dos clubes açorianos, fiquei a saber que a década de 1960 foi aquela em que o FayaL Sport conquistou nada mais, nada menos do que 7 campeonatos distritais e dos quais sempre fiz parte. A maioria dos seus jogadores morava na freguesia da Conceição. Na foto, são nove os jogadores (cujos nomes estão sublinhados) que tinham morada fixa nesta freguesia.
Os anos foram passando e os sistemas tácticos foram sofrendo alterações, mas o número 6 ficou sempre na “minha posse” até que em 1978 “arrumei as botas”.

O número 6 passou para outros jovens e quando meu filho ingressou nos seniores do Fayal Sport, envergou a camisola 6. Os anos foram passando e como tenho dois netos que sabem também dar “um pontapé na bola”, o mais velho quando se inscreveu nas suas fileiras desportivas pediu que lhe fosse entregue a camisola com o mesmo número e com ela jogou sempre até chegar à primeira categoria. Aqui encontrou dificuldades porque quem a usava era um jogador mais antigo e por isso não lhe foi entregue. Mas usou a camisola 16, que representava o número 1 que o irmão, guarda-redes, usava e o 6 que o avô e o pai vestiram.

Nos “Verdes da Alagoa”, livro escrito por mim e lançado em Fevereiro de 2011, na sua capa está a imagem de um jogador em cujos calções está visível o número 6.
Digo e julgo saber, porque infelizmente não vou ao futebol há alguns anos, que a razão da ausência de espectadores nos jogos de futebol, reside no facto de que nos prélios de hoje não se respeita nada nem ninguém.
Nos tempos que já lá vão os Srs. árbitros puniam, segundo os regulamentos, todo aquele que pronunciasse palavras obscenas, dentro das quatro linhas e aqueles que se sentavam no banco de suplentes.

Nos pouquíssimos jogos que assisti e onde participaram os meus netos, manifestei o meu desagrado quando ouvia o respectivo treinador chamar obscenidades a este ou àquele jovem. Era uma atitude que, sinceramente, me revoltava, porque esse treinador, usando esses palavrões dirigidos a um dos seus pupilos, era o mesmo que estivesse chamando a um dos meus netos.
O pior de tudo isso, mesmo batendo à porta dos árbitros a perguntar-lhes se os regulamentos disciplinares tinham sido alterados e obtendo a resposta de que os mesmos continuavam inalterados, a razão de que os jogadores, treinadores e directores dos clubes não são punidos nas suas expressões obscenas, é porque “o hábito faz o monge” e por tudo e por nada, usar obscenidades faz parte da educação, do costume e da afirmação.

Mas isto são apenas desabafos de alguém que já escreveu - em Dezembro de 2013 nas colunas deste jornal - sobre este assunto e as entidades responsáveis pelo nosso futebol, que eu saiba, nunca procederam em conformidade.
Não sei se é pelos palavrões, se é pela qualidade do futebol ou se por outro motivo qualquer, noto que o estádio da Alagoa tem poucos espectadores. É muito provável que o mesmo suceda nos outros campos.

Há poucos dias, chegou-me a notícia de que o meu neto mais novo, André Pinto Pereira, guarda-redes por escolha e por motivos derivados da falta de jogadores, foi-lhe proposto pelo seu treinador que iria jogar fora da baliza.
Meditando nessa proposta, meu neto retorquiu:
- “Sr. Treinador, eu agradecia que me fosse atribuída a camisola com o número 6”.
Estranhando, naturalmente, o pedido formulado, o treinador questionou meu neto nos seguintes termos:
- “Qual o motivo da tua escolha”?
- “O motivo da escolha, Sr. treinador, é que meu avô João Luís durante muitos anos, envergou a camisola 6. Anos mais tarde, meu pai, José Luís, também envergou neste clube a camisola 6. Meu irmão João Rodrigo, enquanto jogador nas categorias de formação do decano dos clubes açorianos, envergou essa camisola como número 6. É esta a razão do meu pedido”.
A camisola com o número 6 foi-lhe atribuída.
Para um avô babado como eu, saber desta pequena história, não é o suficiente. Esta, para mim, é uma história que não deve ser contada “dentro das 4 portas” mas sim “dentro das quatro linhas do estádio da Alagoa”.

J. Luís

Publicado no Incentivo a 30 de Abril de 2018

quarta-feira, junho 20, 2018

"Os Verdes da Alagoa"


"Os Verdes da Alagoa" foi um livro lançado por João Luís Oliveira Pereira em 2011, dando ênfase ao período compreendido entre 1960 a 1978, relatando histórias riquíssimas do Decano dos Clubes Açorianos.

Neste blog, serão publicados alguns dos seus textos.

terça-feira, junho 19, 2018

Basquetebol


Foto: cmhorta.pt

A equipa sénior feminina de basquetebol do Fayal Sport Club foi recebida na tarde de quinta-feira nos Paços do Município pelo Presidente da Câmara Municipal da Horta e pelo Vereador com o pelouro do Desporto.

As basquetebolistas do Decano dos Clubes Açorianos obtiveram o 1º lugar no Campeonato Regional, realizado de 27 a 29 de abril de 2018 na ilha de Santa Maria. Este campeonato disputou-se numa fase concentrada, com o sistema competitivo de todos contra todos a uma volta. Participaram quatro clubes – Clube Ana, Grupo Desportivo Gonçalo Velho, A.J.C.Operário Desportivo e o Fayal Sport Club.

José Leonardo Silva parabenizou as jogadoras, equipa técnica e direção do Fayal Sport Club e enalteceu o espírito de sacrificio e compromisso a que este tipo de competição obriga “sabendo bem das dificuldades com que se deparam no vosso dia a dia enquanto desportistas, não posso deixar de enaltecer as relações pessoais que se criam quando se pertence a um clube, a uma equipa, a um plantel. São relações de amizade para a vida”.

“Os resultados e o título que agora conquistaram são fruto do vosso trabalho e deixam orgulhoso o nosso concelho e, claro está, os sócios do FSC”, destacou José Leonardo Silva que acrescentou ainda “assinámos esta semana um protocolo com o FSC porque consideramos pertinente e importante continuar a apoiar os nossos clubes, sejam elas quais forem”.

in http://www.cmhorta.pt/index.php/informacao/noticias/1728-cmh-recebe-campeas-regionais-de-basquetebol